FBI libera documentos de investigação sobre Steve Jobs


O Federal Bureau of Investigation (FBI, a polícia federal americana) liberou nesta quinta-feira os documentos de uma investigação que o órgão fez sobre Steve Jobs em 1991, quando o então presidente George H. W. Bush cogitava indicar o fundador da Apple para um cargo no governo. Os policiais queriam, sobretudo, sondar o caráter de Jobs e descobrir se ele ainda era usuário de drogas, como admitia ter sido nos anos 60 e 70.
O FBI entrevistou Jobs e pelo menos 29 pessoas próximas a ele. A investigação concluiu, entre outras coisas, que seus colegas temiam o famoso “campo de distorção da realidade” que o criador do iPhone teria.

“Muitas pessoas questionaram a honestidade do Sr. Jobs alegando que ele é capaz de alterar a verdade e distorcer a realidade visando a atingir seus objetivos”, diz o documento.
Uma das fontes se negou a contribuir com a investigação alegando ter “dúvidas sobre a ética e a moral” do executivo. Dois entrevistados próximos a Jobs afirmaram que o então diretor-executivo da NeXT (que fundou em 1985, após sair da Apple) era “teimoso, trabalhador e focado”, características que, segundo eles, proporcionaram o seu sucesso.
Um sujeito de Palo Alto, Califórnia, que se disse amigo de Jobs, afirmou que ele era uma pessoa “basicamente honesta e confiável” e “um indivíduo muito complexo, e sua moral é suspeita”, além de muito ambicioso.

Ainda assim, a maioria dos entrevistados admitiu que Jobs era adequado ao governo.
Os entrevistados negaram que Jobs continuasse a usar drogas. O próprio Jobs admitiu ter experimentado LSD, haxixe e maconha no passado, mas afirmou aos detetives não ter usado drogas nos cinco anos anteriores. Uma mulher não identificada informou que, à época da investigação, ele “bebia apenas um pouco de vinho e não usava qualquer tipo de droga ilícita”.
O dossiê também conta detalhes da ameaça de ataque à bomba feito contra Apple em 7 de fevereiro de 1985, alguns meses antes de Jobs ter sido demitido. Segundo o FBI, um homem ligou ameaçando explodir as casas de funcionários da empresa caso US$ 1 milhão não fosse pago ao criminoso. A polícia, porém, não detectou atividades suspeitas nas residências citadas pelo bandido.

Investigações do FBI desse tipo podem ser tornados públicas após a morte do investigado - Steve Jobs morreu em 5 de outubro de 2011, após anos de luta contra um câncer. O jornal “Wall Street Journal” e o site FINS.com, do mesmo grupo, solicitaram a abertura da documentação com base no Freedom of Information Act e foram atendidos.
Em 1991, quando os detetives do FBI coletaram os dados, Steve Jobs era cogitado para um assento no conselho nacional de comércio exterior, mas não chegou a ser indicado.
Embora os nomes das fontes não tenham sido revelados, é fácil deduzir a identidade de certos entrevistados, como a mulher que, segundo o dossiê, viveu com Jobs e é mãe solteira - descrição que remete a Chris-Ann Brennan, namorada do criador da Apple na década de 70 e mãe de sua primeira filha.

A documentação está disponível neste endereço.

Fonte:  O Globo

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